O setor de mineração global opera em um ambiente de alta complexidade, no qual a gestão ambiental e os riscos climáticos deixaram de ser variáveis secundárias para se tornarem prioridades da alta administração.
O Fórum Econômico Mundial (2026), em seu relatório “The Global Risks Report”, apontou a alta probabilidade de ocorrência de fenômenos meteorológicos extremos mais frequentes e intensos na próxima década, ameaçando diretamente as infraestruturas críticas.
Nesse cenário, o desenvolvimento do fenômeno El Niño para o período de 2026 a 2027 surge como um fator desestabilizador imediato para as cadeias de valor e a continuidade operacional dos distritos mineradores na América do Sul.
Por sua vez, o Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica [NOAA] (2026), em seu Relatório de Diagnóstico do El Niño-Oscilação do Sul (ENSO), destaca que se espera que as condições do fenômeno se intensifiquem, persistindo durante o inverno do hemisfério norte e o verão do hemisfério sul (2026-2027).
O fator das mudanças climáticas e seu impacto regional
A interação entre o aquecimento global e o El Niño intensifica a instabilidade. O aumento da temperatura média acelera a evaporação da água superficial, anulando rapidamente o efeito umectante das chuvas e dando lugar a períodos de seca ambiental extrema.
Particularmente no Chile, a Direção Meteorológica associa esse ciclo a um aumento significativo das temperaturas mínimas e a chuvas concentradas de curta duração em áreas altamente vulneráveis da cordilheira e do pré-cordilheira.
Matriz de Riscos Climáticos na Mineração Chilena (Período 2026-2027)
| Área / Instalação | Risco Principal | Efeito Operacional Crítico |
|---|---|---|
| Norte Grande e Salares | Chuvas de verão no Altiplano, tempestades elétricas e alteração do balanço hídrico. | Restrição ao tráfego nas rotas logísticas de reagentes (ácido sulfúrico), alteração nas taxas de evaporação nas piscinas de lítio e impacto nos acampamentos. |
| Atacama, Coquimbo e Região Central | Chuvas intensas de curta duração, isoterma zero elevada e aumento das temperaturas mínimas. | Inundações, deslizamentos de terra, erosão severa em estradas industriais, colapso de sistemas de drenagem e interrupção do transporte de concentrados nas estradas das cordilheiras. |
Resíduos de mineração e depósitos de resíduos | Saturação do solo, escoamento superficial e pressão hidráulica incomum. | Instabilidade de taludes em minas a céu aberto, risco de deslizamentos de terra e falhas geotécnicas. Exige máxima atenção nos planos de contingência. |
Adaptado de “Super Niño: o risco climático que pode comprometer as estradas, a segurança e a continuidade operacional na mineração chilena”, de Cristian Recabarren Ortiz (2026), Revista Digital Minera
Essa situação crítica exige que as empresas adotem metodologias avançadas de estabilização de solos e controle de emissões que não dependam da irrigação constante com água.
Vulnerabilidades operacionais e impacto econômico na mina
Os eventos climáticos extremos afetam a viabilidade dos projetos de mineração em quatro níveis operacionais críticos:
1. Desafios geotécnicos em mineração a céu aberto e subterrânea
A estabilidade geotécnica das escavações a céu aberto exige sistemas rigorosos de instrumentação para monitorar taludes e bermas de segurança. A saturação hídrica do maciço rochoso reduz a coesão do solo, podendo provocar falhas em grande escala.
Na mineração subterrânea, as prioridades concentram-se em evitar a entrada descontrolada de escoamento nas galerias, o que obriga ao sobredimensionamento das estações de bombeamento e a uma manutenção crítica da ventilação.
2. Pressão hidráulica em rejeitos e depósitos de resíduos
As chuvas intensas exercem uma pressão hidráulica incomum sobre os coroações das barragens e os canais perimetrais de desvio.
Além disso, a erosão acelerada dos lodos e a saturação dos depósitos de resíduos aumentam a probabilidade de deslizamentos e infiltrações de contaminantes nos aquíferos locais.
3. Riscos à saúde ocupacional e licença social
Durante as estações secas, o tráfego nas estradas de mineração gera altas concentrações de partículas em suspensão (PM10 e PM2,5). Esse problema se intensifica no caso das pilhas de rejeitos, cujas emissões eólicas costumam conter metais pesados e agentes químicos altamente nocivos, como arsênico, chumbo, sílica e cianeto.
O transporte eólico expõe os trabalhadores e as comunidades vizinhas a doenças respiratórias graves, ameaçando diretamente a licença social para operar (LTO).
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4. Impacto logístico e financeiro
O bloqueio de uma estrada de mineração por aluvões ou deslizamentos impede a troca de turnos, interrompe o abastecimento de insumos essenciais (combustível, peças de reposição, cal) e interrompe o transporte de concentrado para os portos.
Para uma operação de média ou grande escala, os custos adicionais são catastróficos. Estima-se que as perdas financeiras líquidas variem entre 8 e 12 milhões de dólares por cada dia de paralisação.
Por essas razões, o investimento em tecnologias de estabilização viária e impermeabilização se consolida como uma decisão estratégica de mitigação.
Soluções ABCDust: Inovação em estabilização de estradas, monitoramento e controle de poeira
O método convencional de irrigar estradas industriais exclusivamente com água é insustentável e ineficaz. A rápida evaporação da água exige ciclos contínuos de irrigação, elevando drasticamente o consumo de água e as emissões de CO₂ devido ao uso constante de caminhões-pipa.
Além disso, a aplicação excessiva de água gera a lavagem de partículas finas, buracos, deformações estruturais e risco de aquaplanagem em rampas com inclinações superiores a 10%.
Para resolver essas deficiências, na ABCDust desenvolvemos uma linha de aditivos, polímeros e enzimas projetados para estabilizar solos, impermeabilizar pavimentos contra chuvas intensas e suprimir as emissões de poeira com um consumo mínimo de água.
Nossas soluções contam com a certificação ecotoxicológica canadense BNQ 2410-300, garantindo sua inocuidade ambiental e o cumprimento dos padrões ESG do setor.
Portfólio Tecnológico ABCDust
Estabilizadores de solo iônicos e enzimáticos para bases de estradas
Nossas soluções CHEM-STAB® e EZISS PRO® consolidam a base física das estradas contra o excesso de umidade, impedindo a formação de lodo e deslizamentos durante tempestades, o que reduz os custos adicionais com nivelamento mecânico em 75%.
Supressores poliméricos e aglutinantes para a camada de rolamento
Os produtos DMS-DS® (versões 100, 90, 80) e DMS-EB® reduzem o consumo de água em 90% e aumentam a aderência dos pneus em declives acentuados em até 82%, mitigando o risco de colisões de caminhões CAEX devido ao excesso de umidade.

Controle de Emissões em Depósitos de Resíduos e Rejeitos
O polímero biodegradável solúvel em água DMS-TSF® (Tailings Storage Facilities) forma uma crosta elástica e hidrofóbica que impede o arrastamento de poeira tóxica em períodos secos e ventosos, protegendo ao mesmo tempo as encostas dos reservatórios contra a erosão severa causada por tempestades extremas.
Mitigação em Plantas de Trituração e Correias Transportadoras
Implementação de sistemas de alta eficiência por meio de três tecnologias-chave adaptadas a zonas de alto atrito: DMS-TDS®, DMS-Fog® e DMS-Cannons®.
Gestão Inteligente de Poeira: Monitoramento por IoT e Plataforma DMS-ONE
Para nos anteciparmos aos rigores do El Niño de 2026, centralizamos a gestão ambiental e logística por meio da integração de sensores georreferenciados e instrumentação física (Red-Box®, Bluebox®, DMS-AQS®).
Por meio da plataforma DMS-ONE, o sistema processa esses dados para oferecer um controle preditivo sem precedentes:
- Mapas de calor 3D: Os modelos matemáticos geram representações tridimensionais e dinâmicas das faixas de rodagem em tempo real.
- Previsão meteorológica para 14 dias: Ao cruzar variáveis históricas com projeções de satélite, a plataforma calcula com precisão a taxa de secagem do solo e as emissões esperadas.
- Otimização operacional: Permite programar de forma ideal os turnos de irrigação e as dosagens exatas de aditivos antes que ocorram picos de poluição ou a degradação da via.

Rumo a uma Mineração Resiliente
A análise dos padrões climáticos projetados no contexto do fenômeno El Niño exige a implementação imediata de tecnologias de estabilização química e instrumentação inteligente.
Sua operação está preparada para os desafios climáticos do período 2026-2027? Entre em contato conosco para elaborarmos juntos uma estratégia de mitigação sob medida para sua mina e garantir a continuidade operacional.
Referências
Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica [NOAA]. (11 de junho de 2026). Relatório de diagnóstico do El Niño-Oscilação do Sul (ENSO). Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. https://acortar.link/V88RTF
Recabarren Ortiz, C. (17 de maio de 2026). “Super Niño”: o risco climático que pode comprometer as vias de acesso, a segurança e a continuidade operacional na mineração chilena. Revista Digital Minera [REDIMIN]. https://acortar.link/zLvLL6


